Escrito por
Wellington Freitas
Um elemento recorrente tem
marcado a trajetória política de Marília Arraes (Solidariedade) desde 2025 e
tende a se intensificar ao longo da pré-campanha para o Senado em 2026.
Trata-se de sua presença estratégica na corrida eleitoral que definirá os nomes
da chapa majoritária ao Senado vinculada, de um lado, ao prefeito do Recife e
provável candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), e, de outro, à
governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD).
Com capital político
consolidado, forte recall eleitoral e reconhecida capacidade de mobilização
popular, Marília Arraes tem acompanhado de forma constante o primo João Campos
em agendas políticas por todas as regiões de Pernambuco. Seja no Sertão, seja na
Região Metropolitana do Recife, sua presença ao lado do prefeito é recorrente e
politicamente simbólica, reforçando a leitura de alinhamento e cooperação entre
ambos.
Candidata ao Governo de Pernambuco em 2022, Marília surpreendeu todos os agentes políticos e candidatos da época ao vencer o primeiro turno mesmo enfrentando limitações estruturais e resistência de segmentos relevantes do sistema político estadual.
O desfecho do segundo turno foi impactado por um fato extraordinário que alterou significativamente o ambiente eleitoral e favoreceu sua adversária, Raquel Lyra. Em condições normais de disputa, o resultado final poderia ter sido distinto. Em 2026, o embate assume outra configuração.
Uma percepção disseminada entre eleitores e observadores políticos é a de que Marília Arraes vem sendo sabotada, escondida, por parte de alguns institutos de pesquisas (sabe-se lá a motivação) que frequentemente deixam de incluí-la como opção competitiva ao Senado em levantamentos de intenção de voto. Nos cenários em que seu nome é apresentado, contudo, a dinâmica eleitoral se altera de forma substancial, com a liderança migrando de Humberto Costa (PT) para Marília.
A eventual composição de
Marília Arraes na chapa majoritária de João Campos ainda permanece indefinida.
A disputa por essa indicação envolve nomes de peso, como Miguel Coelho (União
Brasil) e Silvio Costa Filho (Republicanos). Na prática, uma das vagas ao
Senado na chapa do PSB já é considerada reservada ao senador Humberto Costa, o
que estreita o espaço para acomodações políticas adicionais.
PT E O FLERTE COM O PALÁCIO DO
CAMPO DAS PRINCESAS
É amplamente conhecido o
posicionamento de setores do PT pernambucano, especialmente representados pelo
deputado estadual e ex-prefeito do Recife João Paulo, em defesa de uma
aproximação formal com a governadora Raquel Lyra. Essa estratégia inclui a tentativa
de viabilizar a reeleição do senador Humberto Costa em aliança direta com a
chefe do Executivo estadual.
Entretanto, esse movimento
colide com o alinhamento nacional do PT ao PSB, consolidado desde a eleição
presidencial, na qual Geraldo Alckmin, filiado ao PSB, ocupa a Vice-Presidência
da República. Soma-se a isso o fato de o PSB ser presidido nacionalmente por
João Campos, o que torna politicamente sensível qualquer rompimento no plano
estadual.
MARÍLIA ARRAES COMO CRIPTONITA
CENTRAL AO PROJETO DO PT EM PERNAMBUCO
Caso se confirme a opção do PT
pernambucano por uma aliança com Raquel Lyra — cenário plausível diante da
possibilidade de o presidente Lula manter dois palanques no estado —, Marília
Arraes desponta como a alternativa mais competitiva para ocupar a vaga ao
Senado na chapa de João Campos.
Em uma disputa direta, Marília
reúne densidade eleitoral suficiente para superar Humberto Costa, colocando em
risco sua tentativa de reeleição. Nesse contexto, o senador petista seria
empurrado para uma disputa pela segunda vaga, enfrentando adversários com ampla
estrutura partidária e forte presença estadual, como Eduardo da Fonte (PP).
Uma eventual aliança do PT com
um projeto político de centro-direita em Pernambuco pode representar uma aposta
de alto risco, com efeitos potencialmente danosos às pretensões do partido e,
em especial, à sobrevivência eleitoral de Humberto Costa.
MARÍLIA FORTE E BEM AVALIADA
PELO ELEITORADO PERNAMBUCANO
Um dado relevante da
pré-campanha de Marília Arraes ao Senado é o afastamento de parte significativa
dos políticos eleitos com seu apoio em 2022, que optaram por reposicionamentos
guiados por conveniências individuais. Ainda assim, a ex-candidata ao governo
mantém elevado prestígio popular.
Mesmo sem o respaldo formal de
deputados estaduais ou federais, Marília conserva expressivo capital político
junto ao eleitorado pernambucano. Herdeira direta do legado de Miguel Arraes,
ela aparece, em diversos cenários, como favorita na disputa pelo Senado em
2026, sustentada mais pela confiança popular do que por alianças institucionais
tradicionais.






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