Por Wellington Freitas
A política pernambucana
permanece em aberto quando se analisam os cenários para as eleições de outubro
próximo. Apesar de liderar os levantamentos de intenção de voto para o Palácio
do Campo das Princesas, João Campos (PSB) atua com cautela, ciente de que o
processo eleitoral é regido por prazos rígidos e decisões estratégicas que não
admitem erros, sobretudo à luz das regras da Lei nº 9.504/1997 (Lei das
Eleições) e das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Raquel Lyra (PSD), por sua
vez, enfrenta dificuldades para consolidar seu nome na pré-candidatura. O principal
entrave está na definição da chapa majoritária, especialmente da composição
para o Senado. Embora os indicadores de avaliação administrativa apontem aprovação
ao seu governo, essa percepção ainda não se converteu em crescimento
consistente nas pesquisas de intenção de voto para a reeleição, fator que impõe
ajustes políticos e partidários no curto prazo.
CALENDÁRIO ELEITORAL –
Pelo menos duas datas do calendário eleitoral terão impacto direto na formação
das chapas majoritárias e proporcionais que acompanharão Raquel Lyra e João
Campos. São elas: 4 de abril e o período compreendido entre 20 de
julho e 10 de agosto, conforme previsto na legislação eleitoral e nas
normas expedidas pelo TSE.
04 DE ABRIL – Esta é a data limite para que deputados federais e estaduais realizem a troca de partido sem a perda do mandato por infidelidade partidária. A chamada “janela partidária”, prevista no art. 22-A da Lei nº 9.096/1995 (Lei dos Partidos Políticos), com redação dada pela Emenda Constitucional nº 91/2016. Ocorre no período de 4 de março a 4 de abril. Esse intervalo será decisivo para definir quais parlamentares integrarão os projetos políticos de Raquel Lyra e João Campos.
Permanecerão em suspenso, até mais
próximo das convenções, as decisões de partidos com bancadas expressivas como PT e PP, que
tradicionalmente postergam seus posicionamentos estratégicos.
DESINCOMPATIBILIZAÇÃO – O dia 4 de abril também marca o prazo final para a desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos que pretendem concorrer nas eleições, conforme estabelece a Lei Complementar nº 64/1990 (Lei das Inelegibilidades). A data tende a formalizar a saída de João Campos da Prefeitura do Recife, dando início à sua pré-campanha oficial ao Governo de Pernambuco.
Também deverão se desincompatibilizar nomes relevantes do cenário político estadual, como o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), e o ministro da Pesca e Agricultura, André de Paula (PSD), caso confirmem intenção de disputar cargos eletivos.
20 DE JULHO A 10 DE AGOSTO –
Esse período corresponde ao prazo legal para a realização das convenções
partidárias, momento em que as legendas homologam e oficializam seus
candidatos, nos termos do art. 8º da Lei nº 9.504/1997, combinado com a
resolução do TSE aplicável ao pleito. As convenções definirão, de forma
definitiva, as alianças e chapas que estarão nas urnas em outubro.
Partidos com peso eleitoral significativo tendem a não anteciparem suas decisões internas, a fim de garantir espaço e protagonismo nas chapas de Raquel Lyra ou João Campos.
O PT de Pernambuco, que, até o momento, não definiu se integrará o
palanque de Raquel ou de João. O senador Humberto Costa (PT), candidato
à reeleição, aguarda a definição da estratégia nacional do partido para traçar
o alinhamento eleitoral no estado. Boa parte da bancada estadual é favorável a permanência na chapa de Raquel como é o caso do deputado estadual João Paulo, ele que é ex-prefeito do Recife. Já a senadora Tereza Leitão é simpática ao projeto político de João Campos.
Atualmente compondo a base governista do governo de Pernambuco, o PP (Progressistas), liderado em Pernambuco por Eduardo da Fonte, pré-candidato ao Senado, não bateu o martelo em definitivo sobre os rumos do futuro político do partido.
Historicamente, o partido costuma anunciar sua posição
apenas na reta final do processo. Dudu da Fonte reúne condições políticas para
integrar tanto a chapa de João Campos quanto a de Raquel Lyra, sustentado por
uma estrutura partidária robusta no estado, com mais de uma dezena de deputados
estaduais e federais, além de um amplo conjunto de prefeitos e lideranças
regionais.

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